Quando a notícia de que um ex-guarda de 100 anos seria julgado em um tribunal distrital em Neuruppin foi divulgada, a reação não foi de comemoração. Foi de raiva. Por que agora? Por que depois de sete décadas de aposentadoria tranquila? Por que não quando os sobreviventes podiam olhá-lo nos olhos?
A frustração é justificada, e a resposta é mais surpreendente do que a maioria das pessoas prevê. A tentativa de fazer justiça para os guardas de Saxônia Não falhou porque ninguém tentou; em vez disso, a justiça chegou em ondas irregulares, influenciada pelo período de ocupação soviética, pela política da Guerra Fria e por uma definição legal de assassinato que deixou a maioria dos guardas impunes por sessenta anos. Foi assim que realmente aconteceu.
Resposta curta
Saxônia guards were held accountable in three phases. First came Soviet military tribunals in the late 1940s that convicted the top staff. Then came a long gap in which both German states mostly failed to prosecute lower ranking guards. Finally, a shift in legal interpretation beginning with the 2011 Demjanjuk trial, and reinforced by a 2016 Federal Court of Justice decision, allowed prosecutors to pursue cases based on knowing assistance to systematic mass murder without proving participation in a specific killing. For those interested in understanding Berlin’s Nazi past and its postwar pursuit of justice, a free historical walking tour of Berlin offers broader historical context.
Primeira Fase: Os Soviéticos Agiram Primeiro
Em maio de 1945, a Comissão Estatal Extraordinária da União Soviética iniciou uma investigação, durante a qual os investigadores encontraram arquivos administrativos ocultos da SS e provas físicas do campo, como recipientes de gás letal. Esse rastro documental foi importante na época e continua sendo. Foram necessárias décadas para que as listas da SS se tornassem a prova que levou à condenação de um réu que alegava nunca ter estado lá.
Em outubro de 1947, um Tribunal Militar Soviético em Berlim colocou 16 jogadores do time principal no acampamento. funcionários em julgamento. O grupo incluía o último comandante, Anton Kaindl, doze outros oficiais da SS, um funcionário público e dois funcionários prisioneiros cujas funções haviam sido comprometidas. Todos os 16 foram condenados em novembro daquele ano. A União Soviética havia abolido temporariamente a pena de morte em maio de 1947, portanto, 14 réus receberam prisão perpétua com trabalhos forçados e dois receberam penas de 15 anos. Muitos, incluindo Kaindl, morreram em campos de trabalho soviéticos. For those interested in exploring Berlin’s Nazi history and the postwar pursuit of justice, private historical tours of Berlin offer a way to understand the city’s role during and after the Nazi era.
Parece um final satisfatório. Mas não foi, porque 16 pessoas administravam um acampamento que dependia de muito mais gente.
Fase Dois: O Longo Intervalo Que Ainda Enfurece as Pessoas
Se você já se perguntou por que um guarda conseguia viver pacificamente até os cem anos de idade, esta seção explica.
Durante muitos anos, os procuradores de ambos os países enfrentaram o mesmo obstáculo legal. De acordo com o direito penal alemão tradicional, era necessário provar que um suspeito havia participado pessoalmente de um homicídio específico e identificável; um guarda que estivesse em uma torre de vigia, que conduzisse prisioneiros ao trabalho ou que garantisse a segurança do perímetro não precisava ter disparado o gatilho em uma data específica. Era quase impossível provar que "o guarda X atirou no prisioneiro Y em um horário específico", razão pela qual milhares de ex-membros da SS simplesmente voltaram a levar vidas normais.
A Alemanha Oriental e a Alemanha Ocidental lidaram com isso de maneiras muito diferentes.
Está tentando descobrir o que aconteceu com um parente que foi preso em Sachsenhausen? Leia Como posso pesquisar informações sobre um membro da família que foi preso em Sachsenhausen? Para descobrir quais arquivos, registros históricos e recursos de pesquisa podem ajudá-lo a traçar a história de um membro da família.
Alemanha Oriental: Rápida, Política e Injusta
O governo da Alemanha Oriental considerou os julgamentos nazistas como prova de que o socialismo havia eliminado o fascismo. Em 1950, os julgamentos de Waldheim resultaram na prisão de milhares de pessoas que haviam sido encarceradas anteriormente pelos soviéticos. Tribunais especiais julgaram mais de 3.400 indivíduos em um curto período, com pouca consideração pelos procedimentos legais normais. Isso levou a um grande número de condenações, longas sentenças e 24 execuções. Entre os que sofreram esse tipo de punição estavam alguns ex-funcionários de Sachsenhausen, incluindo administradores e guardas de baixa patente.
Nos bastidores, a Stasi mantinha arquivos meticulosos sobre cidadãos com passado nazista. Algumas dessas informações eram usadas em julgamentos de propaganda, e outras para chantagem, transformando ex-funcionários de campos de concentração em informantes em vez de réus.
Alemanha Ocidental: a lei em tempos de paz aplicada a assassinatos em massa.

Os tribunais da Alemanha Ocidental lidavam com os guardas dos campos de concentração sob a lei penal comum. Para obter uma condenação, os promotores precisavam provar que o réu tinha a intenção de agir, que havia tomado a iniciativa e que havia cometido um homicídio específico. Os réus geralmente alegavam que agiram em cumprimento de ordens e que teriam sido fuzilados se tivessem se recusado a fazê-lo. Mais tarde, historiadores demonstraram que os membros da SS que solicitavam transferência raramente eram executados, mas os tribunais nas décadas de 1950 e 1960 frequentemente aceitavam esse argumento, reduzindo assim a duração das penas ou arquivando os processos.
A questão técnica mais cruel era que, em 1960, o prazo de prescrição para homicídio culposo havia expirado. Se não fosse possível acusar um ex-guarda de homicídio premeditado, ele não poderia mais ser processado de forma alguma. Portanto, milhares de homens que haviam vigiado das torres de observação ou conduzido os prisioneiros estavam totalmente protegidos pela lei.
Houve uma organização que tentou resistir à mudança. Em 1958, o estado da Alemanha Ocidental estabeleceu o Escritório Central para a Investigação de Crimes Nacional-Socialistas em Ludwigsburg. Embora não tivesse poderes para apresentar acusações, reconstruiu listas de prisioneiros, entrevistou sobreviventes em todo o mundo e preparou dossiês. Iniciou dezenas de milhares de investigações. Embora a maioria não tenha resultado em condenações durante a Guerra Fria, esses dossiês se tornaram a base para os julgamentos que estão ocorrendo atualmente.
Aqueles que escaparam
Nem todos os que estavam no topo da hierarquia enfrentaram um tribunal, e vale a pena conhecer essas histórias.
O Dr. Heinz Baumkötter, médico-chefe de 1942 a 1945, selecionava prisioneiros doentes e fracos para execução e realizava experimentos médicos brutais. Os soviéticos o condenaram à prisão perpétua em 1947, mas ele foi libertado em 1956 sob um acordo para repatriar prisioneiros alemães. De volta à Alemanha Ocidental, ele desapareceu no setor privado, trabalhando como médico para a empresa farmacêutica Grünenthal, notória por empregar ex-membros da SS na área médica. Ele viveu abertamente por anos antes de ser preso novamente para um julgamento posterior no início da década de 1960.
Hans Loritz, comandante de 1940 a 1942, supervisionou o fuzilamento em massa de mais de 10.000 prisioneiros de guerra soviéticos. Após a guerra, tentou ocultar sua identidade, foi capturado e acabou em um campo de internação britânico em Neumünster. Ao perceber que a extradição para a União Soviética era iminente, e com ela a execução quase certa, suicidou-se em janeiro de 1946.
Karl Otto Koch, o primeiro comandante que ajudou a elaborar o sistema de controle total do campo e posteriormente administrou Buchenwald, nunca compareceu a nenhum julgamento pós-guerra. Ele foi preso pela SS sob acusações de corrupção e executado por um pelotão de fuzilamento em abril de 1945, algumas semanas antes da libertação do campo.
Entretanto, muitos oficiais de patente média desapareceram durante o caos das marchas da morte de abril de 1945. Eles se desfizeram de seus uniformes, queimaram documentos e se misturaram aos milhões de civis que se deslocavam para o oeste. Devido às barreiras legais mencionadas acima, dezenas deles viveram as décadas de 1950 e 1960 usando seus próprios nomes.
Fase Três: O Ponto de Virada de 2011
A major shift in German Jurídico practice began with the trial of John Demjanjuk, a former guard at the Sobibor extermination camp. On 12 May 2011, a Munich court sentenced him to five years in prison for aiding and abetting the murder of approximately 28,000 people. Prosecutors did not have to prove that he had personally killed a prisoner. Instead, the court found that his service as a guard knowingly supported the operation of a camp established for systematic mass murder.
However, this was not a new law, and Demjanjuk’s conviction never became legally final. He died in March 2012 while his appeal was pending. The approach gained stronger Jurídico authority in 2016, when Germany’s Federal Court of Justice upheld the conviction of Oskar Gröning, a former Auschwitz SS member who had been sentenced in 2015 to four years in prison for aiding and abetting murder in approximately 300,000 cases.
These decisions helped prosecutors pursue cases without proving direct involvement in an individual killing. However, service at a concentration camp did not automatically establish guilt. Courts still had to examine the defendant’s duties, knowledge, and contribution to the camp’s crimes. Since murder has no statute of limitations in Germany, this interpretation made further prosecutions possible decades after the war.
That is why former Saxônia guards could face charges of accessory to murder even in their late 90s or early 100s. The delay remains painful because this legal approach gained acceptance when most surviving former guards were already elderly.
Dois casos mostram como isso funciona na prática:
- Josef Schütz. On 28 June 2022, a court in Neuruppin sentenced the 101-year-old, the oldest person tried for Nazi crimes at that time, to five years in prison for aiding and abetting 3,518 murders and attempted murders. The court found that his service as a Saxônia guard between 1942 and 1945 helped sustain the camp’s system of persecution and killing. He died on 11 April 2023, aged 102, while his appeal was still pending, meaning his conviction never became legally final.
- Gregor Formanek. In December 2024, a higher regional court overturned an earlier decision preventing the trial of Formanek, then 100, who was accused of aiding and abetting 3,322 murders as a Saxônia guard between 1943 and 1945. The court ruled that the medical evidence was insufficient to establish his inability to stand trial. Formanek died on 2 April 2025, aged 100, before a trial could begin. He was never convicted in these proceedings.
Como a defesa reage
Como a frase “Eu estava apenas cumprindo ordens” já não funciona, as equipes de defesa dependem de três estratégias.
A primeira alegação é a negação de presença. Schütz afirmou ter passado a guerra como trabalhador rural perto de Pasewalk, disse que estava se confundindo por causa da idade e insistiu que não sabia nada sobre as atrocidades do campo. Os promotores responderam com registros da SS mostrando um sargento da Waffen-SS com o mesmo nome, data de nascimento e local de nascimento, lotado em Sachsenhausen.
A segunda estratégia foi atacar a teoria jurídica. O advogado de Schütz argumentou que ser guarda não era suficiente e que os promotores precisavam vincular uma pessoa a uma execução específica ou a um ato violento. Os juízes rejeitaram esse argumento repetidamente, decidindo que garantir a segurança do perímetro e manter as torres de vigia contribuía para o sistema de extermínio do campo.
O terceiro ponto é a saúde. Com réus com idades entre 95 e 101 anos, a capacidade para julgamento é o principal campo de batalha. A defesa de Formanek inicialmente convenceu um tribunal de primeira instância de que sua condição impossibilitava o julgamento, até que um tribunal superior considerou as avaliações médicas insuficientes. Mesmo quando os réus são considerados aptos, as audiências geralmente são limitadas a cerca de duas a duas horas e meia por dia.
Por que o humor do público mudou
Na década de 1960, muitos alemães desejavam um Schlustrich, ou seja, um ponto final que encerrasse o passado. Ocupados com o milagre econômico, os julgamentos eram vistos como uma reabertura dolorosa de antigas feridas. O promotor Fritz Bauer, responsável pelos julgamentos de Auschwitz em Frankfurt, recebeu ameaças de morte e afirmou que sair do escritório era como entrar em território estrangeiro. Foi somente com os protestos estudantis de 1968 que uma geração mais jovem começou a questionar as ações de seus pais durante a guerra.
Hoje, o clima é de urgência. A mídia tradicional cobre esses julgamentos amplamente, as instituições os apoiam e a maioria das pessoas os vê como um dever moral para com as vítimas. Há também uma incômoda vergonha compartilhada. Muitos alemães admitem abertamente que o sistema permitiu que esses homens vivessem vidas longas e tranquilas, agindo apenas quando estavam frágeis demais para cumprir pena. Vozes marginais ainda reclamam de levar avôs a julgamento, mas a opinião predominante é que a lei deve julgar o jovem guarda da SS, e não o idoso frágil em que ele se transformou.
Perguntas frequentes
- Por que esse guarda não foi processado há setenta anos?
Because German courts traditionally required evidence linking defendants to specific crimes, prosecuting former guards who had not personally carried out killings was difficult. Simply serving as a guard was generally not enough to establish criminal responsibility, and the statute of limitations for manslaughter expired in West Germany in 1960. A different interpretation of the existing law emerged in the 2011 Demjanjuk trial and received confirmation from Germany’s Federal Court of Justice in 2016.
- Será que uma pessoa de 100 anos pode realmente ser julgada?
Sim, com limites. No caso Sachsenhausen, um porta-voz do tribunal afirmou que o réu deveria poder participar por até duas horas e meia por dia. Os tribunais precisam ter certeza, do ponto de vista médico, de que o réu compreende as acusações, e juízes já anularam decisões que consideraram réus inaptos com base em provas insuficientes.
- Qual foi o primeiro julgamento de Sachsenhausen após a guerra?
O Tribunal Militar Soviético em Berlim, realizado em outubro de 1947, julgou 16 altos funcionários, incluindo o comandante Anton Kaindl, e os condenou em novembro de 1947.
- Que estratégias defensivas os ex-guardas usam hoje em dia?
Principalmente três: negar que alguma vez estiveram no campo, argumentar que o serviço de guarda por si só não configura cumplicidade e alegar estarem doentes demais para serem julgados. Os registros oficiais da SS geralmente refutam a primeira alegação, e os juízes rejeitaram a segunda.
- Será que esses julgamentos tardios ainda importam se o réu pode morrer antes de cumprir a pena?
Muitos alemães consideram esses veredictos simbólicos, mas necessários. Schütz foi condenado e sentenciado antes de morrer, o que estabeleceu o precedente. A opinião pública predominante é que não há prazo de validade para a responsabilização por atrocidades sistêmicas e que um veredicto, mesmo que tardio, honra as vítimas.
























